iPOD DE BABEL Nº 2| A COMUNICAÇÃO DAS ALMAS: A MÚSICA
em minha defesa tenho apenas a música. sigo-lhe as modas e as manias e oponho-me ou apoio-as conforme as minhas.
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”(…)Para que é que havemos de falar?… É melhor cantar, não sei por quê… O canto, quando a gente canta de noite, é uma pessoa alegre e sem medo que entra de repente no quarto e o aquece a consolar-nos… “. (Fernando Pessoa, “O Marinheiro” (1915)
Tony Bennett, “The Good Life”, I Wanna Be Around (1963, Columbia)
Tom Waits, Asylum years , “Tom Traubert’s Blues”, Asylum years (1986, Elektra)
”Como é estranho ver uma espécie inteira - milhões e milhões de pessoas - empregando boa parte do seu tempo a tocar ou a ouvir padrões tonais desprovidos de significado, dedicando-se a uma coisa a que chamam música” (Oliver Sacks, Musicofilia (2008, Relógio d’Água)
The Yardbirds, single , “Boom Boom” (1966, Columbia)
”O tipo de música susceptível de provocar os ataques variava muito de paciente para paciente. Um deles indicou a música clássica, outro falou de canções antigas, ou que lhe recordavam o passado, enquanto uma terceira paciente achava que a música mais perigosa para ela era a que tinha um ritmo bem acentuado.” (Oliver Sacks, Musicofilia (2008, Relógio d’Água)
The Clash, Cut The Crap, “Dirty Punk” (1985, Epic Records)
“A música de agora é irritante. Há pouco entrei no templo: o sacerdote consagrava a hóstia, e o órgão entoava a Traviatta. Santo Deus! Quem quiser música de adormecer dores e levantar a alma à sua origem, há de pedi-la à vibração e à folhagem das florestas”. (Camilo Castelo Branco)
Erik Satie, Gymnopdies I - II - III (1888)
“A música pode ser o exemplo único do que poderia ter sido - se não tivesse havido a invenção da linguagem, a formação das palavras, a análise das ideias - a comunicação das almas.” (Marcel Proust “À Procura do Tempo Perdido”)
Marcos Valle, Garra, “black is beautiful” (1971, Odeon)